
Gabriel Del Fiaco
Psicoterapia Somática & Regulação do Sistema Nervoso
A sensação de que você é uma fraude, prestes a ser descoberto a qualquer momento, é a clássica manifestação psicológica da síndrome do impostor. No entanto, na clínica corporal, a insegurança e o medo da exposição possuem uma assinatura física inconfundível.
Nós não apenas *pensamos* que somos inadequados; nós nos *moldamos fisicamente* em uma postura de retração defensiva.
1. A Retração Cervical e a Defesa Primitiva
Sob a ameaça de julgamento social ou humilhação (os principais gatilhos da insegurança profissional), o sistema nervoso ativa o reflexo de sobressalto primitiva: os ombros se elevam ligeiramente para proteger as artérias do pescoço e a cabeça é projetada para a frente, enquanto o peito se retrai para dentro.
Esse padrão postural encolhido é o equivalente a “se fazer menor” para evitar o confronto ou passar despercebido pelo predador. O problema é que manter essa postura de retração comunica constantemente ao cérebro que você está em território hostil.
2. A Couraça Cervical e o Controle Racional
Na clínica somática, a couraça cervical e do pescoço funciona como uma barreira que isola a cabeça pensante do corpo senciente. Para conter as emoções que consideramos vulneráveis, enrijecemos a garganta e a nuca, mantendo uma atitude intelectual de controle rígido.
3. Expandindo e Tomando Espaço
Para desarmar a síndrome do impostor somática, precisamos ensinar o corpo a se abrir com segurança:
1. O Rolo de Ombros Somático
Inspire profundamente elevando os ombros até as orelhas e, ao expirar, gire-os suavemente para trás e para baixo, permitindo que as escápulas se apoiem nas costelas posteriores e abrindo o esterno.
2. Afirmação de Presença
Fique de pé, sinta o peso dos seus calcanhares firmes no chão e expanda suavemente os braços para as laterais, tomando o espaço físico ao seu redor. Deixe seu sistema nervoso registrar que é seguro ser visto.
